SEMANA DE QUATRO DIAS DE TRABALHO

SEMANA DE QUATRO DIAS DE TRABALHO

Entre os trabalhadores brasileiros ainda é um sonho muito distante da realidade. Hoje precisamos mesmo é de mais empregos que possam dar o mínimo de dignidade à grande parte da população.
Mas trabalhar quatro dias por semana já é realidade em outros países onde a ideia não é mais vista como complicada para o mundo dos negócios. O estímulo ao aumento da produtividade em trabalhos home office foi constatado por pesquisas realizadas durante a pandemia. A melhoria da relação entre trabalho e vida pessoal do trabalhador, também. Logo, vale a pena sonhar.
Pesquisa realizada a pedido do Fórum Econômico Mundial em julho do ano passado – onde foram ouvidos 12.500 trabalhadores de 29 países – mostrou que 2/3 querem flexibilidade para trabalhar. Sendo que 1/3 se considera preparado para abandonar o emprego se for exigido trabalho presencial em tempo integral. E 64% consideravam-se mais produtivos, trabalhando em casa.
O FMI identificou que existe um desencontro entre o tipo de vagas disponíveis e o preenchimento dessas vagas por trabalhadores. Nos EUA, desde a crise financeira de 2008 vem sendo constatado essa defasagem, agravada durante a pandemia. Só a fuga das mães e dos mais idosos do mercado americano representa 70% do total de demissões voluntárias (“Great Resignation”).
Muitos desses demissionários foram em busca de trabalhos que lhes permitissem ter vida pessoal mais prazerosa. Os mais idosos se aposentando mesmo, e os mais jovens em busca de trabalhos que lhes dessem mais liberdade, mais tempo para a vida pessoal.
Especialistas em Recursos Humanos empresariais justificam essa mudança porque, além da maior produtividade e o bem-estar do trabalhador, há uma significativa redução de despesas em gastos administrativos, como uso de papel e energia com esses três dias de folga.
Nessa linha de conduta, surgiu no Reino Unido a campanha “Semana de 4 Dias”, organizada pela ONG 4 Days Week Global em parceria com as universidades de Cambridge, Boston e Oxford. É uma experiência de seis meses que começará em junho onde as empresas permitirão que os funcionários trabalhem 32 horas por semana com os mesmos salários e benefícios.
Mas não se trata de uma novidade. A Islândia, entre 2015 e 2019, testou, com 2.500 trabalhadores, jornadas semanais reduzidas de 40 horas para 35 ou 36, com a mesma remuneração. Desde o dia 15/02/22, a Bélgica propõe ao trabalhador a opção de distribuir sua jornada semanal por quatro ou cinco dias – mantendo a carga horária total. De acordo com as autoridades belgas, um projeto bastante flexível pretende tornar a economia mais dinâmica e melhorar a compatibilidade entre família e trabalho. A jornada semanal belga é de 38 horas, mas o empregado tem a opção de trabalhar 45 horas numa semana e deduzir as sete horas adicionais na seguinte. O regime de quatro ou cinco dias é uma decisão do próprio trabalhador, que poderá renovar ou alterar o pedido a cada seis meses.
Na Escócia as empresas que participam do projeto e adotam quatro dias de trabalho por semana recebem um aporte de 10 milhões de libras esterlinas. No País de Gales, o assunto está em discussão. A Suécia se divide entre os políticos que acham a medida cara e as microempresas, que gostaram da ideia. Há dez anos a Toyota, empresa automobilística, mantem a política dos quatro dias de trabalho por semana. Assim como, no Japão, a Microsoft já adotou a medida.
No Brasil, são poucas as empresas que já reduziram a jornada de trabalho semanal de seus funcionários. Mas aquelas que estão interessadas em atrair jovens valores para seus quadros já identificaram que este é um atrativo significante, pois esse público valoriza as horas livres. Startups, empresas de tecnologia, desenvolvedoras de software, especializadas em análise de dados e agências de publicidades têm sido a vanguarda brasileira nesse longínquo sonho de ter um emprego, trabalhar quatro dias e ter um final de semana prolongado. (Gloria Alvarez)